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Valentim Santos

BODEGAS QUE RESISTEM AO TEMPO.

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As bodegas podem ser consideradas como uma pequena venda de produtos secos e molhados, sua etimologia vem do latim apothéca, lugar onde guardam comestíveis, e do grego apothêke, deposito, armazém, adega, taberna.

As bodegas são de origem milenar e possuem sua origem difusa. Nascidas no oriente persa provêm dos primeiros bazares ambulantes que acompanhavam os exércitos nas cruzadas. Os mercadores geralmente tinham quase tudo que a população precisava. Eram nas bodegas cearenses, pernambucanos, alagoanas e paraibanas, que o Capitão Ferreira Virgulino, mas conhecido como “Lampião”, infiltrava espiões para ouvir conversas e sondar as andanças das volantes policias. Ninguém poderia imaginar que um cego ou aleijado, seria os agentes secretos de Lampião. Os mesmos ficavam nas bodegas a ouvir conversas e mexericos que eram repassados prontamente para o cangaceiro.

O comércio das bodegas ainda resistiram como atividade comercial, não só em Fortaleza, mas em todo o interior do estado. Com a variedade de produtos que começaram a ser comercializados, passaram a se denominar de mercadinhos e com a sua expansão física transformaram-se em embriões dos grandes supermercados. Muitos proprietários desses supermercados hoje são advindos dos pequenos comércios que eram as bodegas de outrora uma época bem recente.

As bodegas fazem parte de nossa história e falar nelas é mergulhar no tempo nostálgico, é reviver fatos de nossos antepassados. Basta fecharmos os olhos para lembramos imagens que ficaram perdidas no tempo. “Quando eu era menino, meu pai me levava para a bodega Azul do seu Raimundo Nonato. Lá, eu saboreava pão de côco com refresco de Cajá e saboreava os tijolinhos de goiaba. Lembro-me da final da copa do mundo de 1962, quando o Brasil foi bicampeão de futebol. Nós estávamos na bodega Brasília do Senhor Djacir, todos reunidos para ouvir o jogo, pois como naquela época não existia televisão, a moda era ouvir radio, lá existia dois rádios “de marca Sempre” a bateria, um em cada lado do balcão.” Nos relembra, Almir Cordeiro Filho, ex-atleta do Ferroviário e funcionário do frotinha, que se emociona ao falar sobre sua infância nas bodegas do bairro.


Existe um relacionamento pessoal de cada bodegueiro com a comunidade onde um dos vínculos existente é a velha caderneta, onde comerciante e freguês controlam a venda dos produtos fiados. A hora de fazer compras na bodega é um momento de interação entre as pessoas que se reúnem naquele lugar e nas conversas umas com as outras são trocadas receitas de remédio para curar doenças, receitas de bolos, são dados conselhos sobre alguns problemas que um dos fregueses esteja passando e, é também o momento e o lugar onde se sabe quem casou quem se separou quem foi preso, quem morreu quem nasceu quem passou no vestibular, quem levou chifes, quem esta desempregado, quem compra e não paga, em fim sabe-se da vida dos moradores das redondezas.
Bodega comercial.

A bodega é o espaço livre que se transforma na dispensa da casa do pobre. O dente de alho, o pacote de arroz, a garrafa de manteiga estão, disputando o mesmo espaço, com canos, torneiras, alicates, serrotes, uma variedade de mercadorias que satisfazem a clientela no preço, no prazo e, sobretudo, no atendimento personalizado a cada cliente.

Lembro-me da bodega do seu Pergentino, seu comercio era uma autentica farmacopeia cearense, lá ele fabricava uma garrafada batizada por chá de pobre, dentro dela tinha cascas de embiriba, jatobá, tipi, camela, Tinha folhas de louro, boldo, manjericão, arruda. Raiz de carnaúba, pega pinto, tudo colocado dentro das garrafas prontas para o consumo imediato. Seu Pergentino dizia que servia para curar gripe, resfriado, coqueluche, tosse braba e dor de cabeça, além da tradicional dor de chifes.

Uma bodega que não sai da minha memória é a do Senhor Manuel da Padaria, que ficava na rua Manuel Soares, antigo beco da Estação ferroviária. Lá tinha tudo que uma dona de casa pudesse precisar: sabão pavão, gordura de côco, goma, farinha, pimenta do reino, cordas, toucinho de porco salgado, lamparinas, querosene a granel, manteiga, pão sovado entre outras coisas indispensável àquela época, em pequena quantidade, pois poucas pessoas compravam em grande quantidade como hoje.

No interior Cearense as poucas bodegas que ainda registem, principalmente na região do Cariri estão dando lugar as mercearias, mercantis e supermercados que superlotam as cidades do Interior cearense. Na cidade do Crato existe uma bodega conhecida como “bodega do Joquinha”. Lá por incrível que pareça, qualquer pessoa pode tomar banho. Banho com uma lata d´água, com direito a um pedaço de sabão, preço tabelado vai de R$ 2,oo a 5,oo reais.

Na contramão da ordem natural do comércio, que transforma pequena venda em bodega, existe na cidade de Brejo Santo, uma bodega que seguiu o caminha de volta no tempo, e a Internacional bodega “Caldeira do Inferno”, ela pertence ao Chico Sinésio que pretende comemorar o centenário da mesma com uma festa entre amigos. Ele explica que o nome Caldeira do Inferno não tem sentido profano. Ela e um ponto de encontro de amigos, políticos, aposentados, empresários, boêmios e transeuntes. Uma caldeira de ideias dos filhos e amigos da cidade de Brejo Santo. Nesta bodega não existe a figura do bodegueiro, ele gosta de ser chamado de “cão chefe da caldeira”.

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Como podemos esquecer estes pequenos comércios de portas estreitas ou largas que resistem ao tempo com sua cultura e suas tradições? Como podemos esquecer-nos das bodegas da minha infância?. Como seu Pergentino, seu Antônio Nonato da “bodega azul”, seu Antônio Carolino, Luiz Padeiro, Djacir, Manoel da Padaria. Não podemos esquecer uma das primeiras do bairro a do Senhor Antonio Ramos, localizado na Rua Joaquim Leitão com José Leite Gondin. A do Franca Pinheiro, dona Mel( recem falecida) e outras tantas bodegas que fizeram parte da história comercial do nosso Barro Vermelho e hoje fazem parte da história do bairro Antonio Bezerra.
Valentim Santos
Professor, Historiador e Sociólogo
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