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Valentim Santos

As memórias do circo que conheci na infância

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"O Circo Chegou". Esta palavra mágica deixava a meninada e adolescentes empolgados, com a chegada dos circos no bairro de Antonio Bezerra. Nesta época existiam espaços físicos para montagem dos circos e Parques de Diversões. Hoje. Estes espaços não existem mais. Um dos locais mais escolhido era um terreno entre as ruas Martins Neto e Hugo Victor. Hoje neste local funciona uma agência bancária e um Posto de Saúde.

Lembro de um circo que esteve no bairro, o Circo Theatro Paraense, o maior de todos. Embaixo de sua lona colorida, levantada por três mastros de armações, existia um mundo mágico de diversões produzidos por malabaristas, mágicos, atiradores de facas, trapezistas, globo da morte, Calhambeque maluco e os palhaços, cada qual mais engraçados com suas roupas coloridas, produzindo alegria e sorriso nas crianças e adultos. As luzes que enfeitavam o circo, davam um efeito deslumbrante em toda sua estrutura física. Dos tempos antigos até hoje, o picadeiro do circo atrai dezenas de pessoas em busca de diversão e alegria.

Circo montado. Era hora de sair em carreata pelas ruas do bairro. Saia a caravana em carros, todos os artistas com suas roupas de apresentação e os palhaços, fogos de artifícios e carro de som anunciando as atrações do monumental Circo Theatro Paraense. Era uma animação total, as pessoas nas portas assistindo o desfile e a meninada saia atrás da caravana, completavam os desfiles. Eram anunciadas as atrações: "Respeitável Público. Hoje tem espetáculo. Hoje tem alegria. Hoje tem divertimentos, com os maiores palhaços mais engraçados. Trapezistas, malabaristas, Globo da Morte entre outras atrações. Vocês vão assistir o maior espetáculo jamais visto. Chegou o Circo neste bairro." Várias entradas eram distribuídas para os moradores que assistiam ao desfile.

Chegava à noite de estreia do Circo. Logo sedo os vendedores ambulantes montavam seus comercio ao redor do mesmo. Entre eles existia uma senhora muito conhecida no bairro, D. Lurdes, "Rainha da Pipoca". A magia do circo deslumbra a alma e contagia o público, na chegando e em pouco tempo, a arquibancada estava totalmente lotada. A emoção tomava conta de todos. Nesse momento um conjunto musical circense tocava músicas instrumentais animando o espetáculo.

A primeira atração era anunciada. "Senhoras e Senhores, apresento os maiores malabaristas de todos os tempos. Os irmãos Silveiras" que encantava a todos, depois vinha os trapezistas dando um show no ar. "O espetáculo não pode parar. Apresento o Rei dos Magicos. Mister Houdini". Coelhos e pombos saindo da cartola do mágico, mulher suspensa no ar, e o número mais aguardado, uma mulher era serrada viva no palco entre outros números. O mundo do ilusionismo fazia todos aplaudir o referido mágico. Agora chegavam os palhaços. O Palhaço é o verdadeiro mágico do circo, pois faz a mais bela das mágicas, que é arrancar risos da plateia. Agora o momento de suspense com os irmãos "La Bambas" que caminhavam um em cima do outro sobre uma corda, entre outros números.

Dando continuidade ao espetáculo subia no picadeiro os atiradores de faca, cujo número consiste em atirar punhais ou facas para uma prancha giratória, na qual se encontra uma mulher. Este é um número de grande responsabilidade, que pode colocar a assistente em risco, caso cometa alguma falha. Depois veio a atração mais emocionante do circo. O Globo da Morte. Era uma jaula gigante em forma de esfera de aço, onde motociclistas andavam por dentro da jaula, em alta velocidade. Agora o riso tomava conta, vinha ao picadeiro os palhaços e o Calhambeque maluco.

Na segunda parte do show era apresentado uma peça de Theatro no palco do Circo. Neste número todos os artistas se transformam em atores e atrizes. O espaço geralmente tem um palco centralizado, chamativo, com muitas luzes, sons e efeitos. Sempre era apresentado um drama ou uma peça muito dramática que emocionava o público. Neste estreia foi apresentado o "Ébrio" baseado no filme do cantor Vicente Celestino. Outras peças seriam encenadas posteriormente, Coração Materno, Paixão de Cristo, Mamãe Dolores entre outras.
Para aproximar o circo da comunidade, o diretor de palco aproveitava os talentos existentes nos bairros] onde se apresentava. Helano Ramos meu amigo, tocava violão e guitarra, além de cantar muito bem as músicas do Nelson Gonçalves. Ele passou no teste e passou a apresentar-se nas noites de espetáculos. Outro que se apresentava foi Augusto Filho. Ele fazia número com os palhaços do circo.
No domingo à tarde existiam matinês para o público infantil. Como sempre as arquibancadas e cadeiras ficavam lotadas, nestes espetáculos predominavam os palhaços com suas brincadeiras que arrancavam risos da plateia. Eram tardes inesquecíveis para crianças e adultos que frequentavam o circo.

Outros circos vinham para abrilhantar as noites no bairro, Circos Americano, Circos Continental e muitos outros. Mas o Circo Theatro Paraenses foi o que marcou uma geração de crianças e adolescentes.

Muitas vezes sentei-me na arquibancada para assistir aos espetáculos. Eles nunca decepcionam. Desde aqueles espetáculos menores, daqueles que vão de bairro em bairro; até os grandiosos, como a magia transmitida no Cirque du Soleil que encanta ao redor do mundo todo. É assim que começa e termina cada apresentação construída por artistas que distribuem sorrisos para depois colecioná-los, sucessos, alegria e aplausos do público presente a cada apresentação.

Hoje passado muitos anos destes espetáculos circenses, tudo mudou, os espaços físicos já não existem mais, foram transformados em praças e casas. Os Circos são montados nos estacionamentos dos Shoppings das cidades. Não existe mais aquela fábrica de magia ambulante, entusiasmo e alegria dos circos do meu tempo de adolescente. Assim era o circo e sua magia...!!!!!!

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