Violência, quem será o culpado?

Coluna: Leonardo Sampaio
Autor: leonardofsampaio

Os noticiários e jornais trazem resultado de uma pesquisa em que Fortaleza é a 13ª cidade mais violenta do mundo. É necessário que se diga que essa cidade é violentada pelo maior consumo de carros de luxo, como os mesmos meios de comunicação registram, o que representa concentração de riqueza e desigualdade social.



É esse o sistema econômico que predomina no poder do estado e do país, portanto, não será diferente em Fortaleza.

Enquanto isso há um modelo de sociedade que implica em exclusão, com muitos tipos de fomes que proporciona desilusão às juventudes e essas sem perspectiva futura estão se exterminando das diversas formas, inclusive banalizando a vida e interrompendo-a precocemente, na disputa de um mercado de trabalho e renda relacionado às drogas ilícitas.
São eles descendes de etnias indígenas e afrodescendentes que estão fora do mercado de trabalho e consumo. Fazem parte dos 250 milhões que passam fome de pão (D. Helder) e os que passam fome beleza (Frei Betto) e de saberes (Paulo Freire) se multiplicam muito mais.

Como justificar esse nível de violência, senão observando o que está por traz do Estado de Direito? A quem ele serve? As interrogações surgem porque há uma tentativa de se buscar pessoas, indivíduos culpados. No entanto, essa situação é resultado do capitalismo, agravado pelo neoliberalismo e a corrupção. Aí sim, todos aqueles e aquelas que alimentam e sustentam esse sistema, podemos enquadrá-los como culpados de todas as formas de violência que interrompem a vida, sejam elas, por meio de armas de fogo e branca, trânsito e ausência de assistência médica ou a ineficiência do atendimento e até mesmo pelo sistema privado empresarial da saúde em que o lucro supera a possibilidade de salvar vidas.

Entendo que a violência anunciada é consequência de todo esse conjunto de coisas construídas pelo espírito predador do ser humano, em toda a dimensão planetária (Leonardo Boff), onde o lucro possa ser extraído e acumulado em detrimento à vida.

Como superar tudo isso se as instituições representantes do poder supremo dos deuses, se atolam no sistema capitalista com toda sua dimensão individualista, de exploração e corrupção como vemos o Vaticano, nas Universais e demais igrejas que vendem a alma branca de um Deus supremo e infinito que perdoa e salva na chegada ao céu? Pra que violência maior que atinge milhões em todo o planeta?

Urge assim a necessidade da construção de um mundo com uma sociedade emancipada, humanamente justa e fraterna com o fim da fabricação de armas, para se viver com paz e amor.

Leonardo Sampaio
Educador e pedagogo e colunista do site: Bairro Antonio Bezerra. Com. Br

Published:  03 Mar 2013