A volta do coma...

Coluna: Histórias do Lado de Lá
Autor: Herbênya Alves

Costumava dizer aos amigos que fiz em Dublin que, em alguns momentos, sentia receio de voltar ao Brasil.

Estar de volta ao meu país de origem é constatar minhas previsões: de certa forma, o tempo parou pra mim e eu não estava preparada para esse despertar! Hoje, eu olho para o passado e até me admiro da minha imaturidade. Às vezes, os fantasmas que me rodeavam eram tantos que só via ‘o lado bom da vida’ antes de ir me aventurar na Ilha Esmeralda.

A ânsia de voltar e a saudade eram tamanhas que, por vezes, não dei a importância devida aos momentos que estava vivendo por lá. Além disso, ao voltar percebi que, por aqui, o tempo não parou. Tanto que escutei Cazuza, mas não ouvi as repetidas vezes em que ele afirmou que ‘o tempo não para’.

Não foram poucas as oportunidades em que me peguei pensando sobre o que vivi e como pensava no tempo em que estive fora. Foram tantos planos para a minha volta ao Brasil... Lá eu acreditava que estar distante dava-me o direito de ser indispensável ao voltar. Nem eu podia imaginar o quanto me achava importante na vida dos meus amigos e familiares. Talvez, indispensável.

O regresso me fez ver que, na verdade, era eu quem precisava muito mais deles do que eles de mim. Precisei ir longe pra descobrir que aquilo que me completa estava o tempo todo ao meu lado.

Published:  26 Apr 2014