Contagem regressiva ...

Coluna: Dependência Química
Autor: Rossana Brasil

Todo Réveillon é igual em muitos aspectos. Mas esse 2020 foi um ano de aprendizado, pelo menos deveria ter sido. É lógico que, infelizmente, poucos tiraram alguma as lições que ele nos deu. É claro que via de regra sempre queremos melhorar nossas vidas e, para tanto, tudo vale, principalmente as reticentes e famosas promessas ou repromessas de mudanças, para o ano vindouro.

No ano que vem, eu irei emagrecer, parar de fumar, arrumar um amor, praticar exercícios, ganhar dinheiro, mudar de emprego e por aí vai. Não há como negar que o fim de um ciclo marcado pelo calendário traz a muitas pessoas a esperança de mudanças, para melhor, é claro. Enfim, uma lista infindável que muitos de nós conhecemos de cor e salteado. Razões não faltam para as mais diversas promessas. Essas promessas surgem pela mesma lógica que estimula as pessoas a começarem uma dieta, sempre,na segunda-feira.

Para muitos, exatamente na hora da virada é o momento que poderão se organizar para estabelecer a mudança necessária e desejada, renovar seus sentimentos, aumentar sua disposição em cumprir as metas estabelecidas, retomar propósitos ou criar novos e até mesmo abandonar o que avaliam que não foi bom no anoque se finda.

Outro fenômeno que desponta nesta época, sobretudo na mídia, são os denominados "gurus" das mais variadas denominações, formações e propagadas integridades, falsárias, é óbvio. Pessoas que fazem previsões, apontam metas e dão respostas simples e mágicas para entender tudo e responder a tudo. Muitos exploram o desespero das pessoas que querem soluções rápidas, mágicas e positivaspara os imbróglios da exixtência.

Basta estarmos atentos às TVs, sobretudo no dia 31 de dezembro, para percebermos o aumento das consultas aos búzios, cartas, oráculos, seguido também do crescimento nas vendas doslivros de autoajuda etc. Isso sem contar os desejos feitos nessas datas que, presos às diversas simpatias, fazem desabrochar as esperanças, pelo menos, nas primeiras semanas do ano e, para muitos, murcham logo depois.

Mas afinal, o que leva tantas aparentes garantias ao fracasso? Promessas em vão? Comprometem-se e não cumprem, porque são fracos, sem força de vontade, frágeis seres à mercê de hábitos mais fortes, vítimas de nós mesmos, de nossa estrutura de pessoa, de um passado que nos condena? Devemos, pois, deixar de lado nossos planos e promessas de um ano de fato novo e continuar a fazer do mesmo jeito, ou permanecer na passividade de quem espera o trem, parado com sua mala na estação? Será que não devemos fazer nada de diferente e apenas ficar esperando que as coisas mudem de direção por si mesmas? Tudo mera ilusão!

A verdade e o que funciona, é um esforço, um comprometimento consigo mesmo, no sentido de abandonarmos o egoísmo, o consumismo e, acima de tudo, a falta de empatia, de solidariedade e compaixão. Que o novo ano seja, verdadeiramente, novo. Que cada um de nós, sejamos renovados!



Published:  29 Dec 2020